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Muçulmano, prefeito de NY revoga políticas contra antissemitismo no 1º dia de gestão

O Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou com veemência as primeiras medidas do novo prefeito de Nova York, Zohran Mamd...

Muçulmano, prefeito de NY revoga políticas contra antissemitismo no 1º dia de gestão
Muçulmano, prefeito de NY revoga políticas contra antissemitismo no 1º dia de gestão (Foto: Reprodução)

O Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou com veemência as primeiras medidas do novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, acusando-o de “alimentar o antissemitismo”.

A polêmica começou já no primeiro dia de gestão de Mamdani, quando o prefeito assinou um decreto que anulou todas as ordens executivas de seu antecessor, Eric Adams.

Entre as medidas revogadas estavam aquelas que adotavam a definição de antissemitismo da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) e restringiam iniciativas de boicote e desinvestimento contra Israel no âmbito da administração municipal.

A IHRA é uma organização intergovernamental de 35 países que promove a educação sobre o Holocausto.

Ódio antijudaico

A declaração do Ministério das Relações Exteriores israelense nas redes sociais foi contundente: “Isso não é liderança. É gasolina antissemita em um incêndio aberto”, afirmando que descartar a definição internacionalmente reconhecida de antissemitismo e suspender restrições a boicotes contra Israel sinaliza um enfraquecimento das salvaguardas contra o ódio antijudaico.

Segundo o governo israelense, as políticas vigentes até a chegada de Mamdani ao poder municipal ajudavam a combater a hostilidade contra judeus.

De acordo com Israel, essas políticas também tinham como objetivo proteger a comunidade judaica na maior cidade dos EUA.

Preocupações e reações

A decisão do prefeito gerou preocupação e forte reação diplomática, evidenciando tensões sobre segurança e combate ao preconceito.

Mamdani, que já enfrentou acusações de antissemitismo por apoiar o movimento anti-Israel, afirmou a repórteres na sexta-feira (02) que pretende financiar iniciativas para prevenir crimes de ódio.

Ele garantiu que a proteção da comunidade judaica de Nova York será uma prioridade de sua gestão, mesmo após a revogação das políticas anteriores.

Em uma declaração conjunta pouco comum, sete organizações judaicas da região de Nova York – entre elas a UJA-Federation, o Conselho de Relações da Comunidade Judaica, a Liga Antidifamação (Nova York/Nova Jersey), o Comitê Judaico Americano, o Conselho de Rabinos, a Agudath Israel da América e a União Ortodoxa – criticaram a decisão de Mamdani de revogar as diretrizes da IHRA e as restrições a boicotes.

O Conselho de Relações Americano-Islâmicas, junto a outros grupos, sustenta que a definição da IHRA tem sido utilizada para restringir vozes que defendem os direitos dos palestinos.

'Medida define tom do governo'

A organização pró-Israel StandWithUs criticou duramente a decisão de Mamdani e pediu que ele a revertesse, afirmando que “as decisões tomadas no primeiro dia definem o tom de um governo”.

“A definição da IHRA reflete como a grande maioria dos judeus vivencia o antissemitismo hoje e é amplamente utilizada para identificar e combater esse ódio em todo o mundo. Quer o prefeito goste ou não, é um fato que demonizar o único Estado judeu do mundo, discriminá-lo e negar seu direito de existir são todas formas de intolerância contra os judeus.”

O Conselho Israelense-Americano manifestou preocupação com a decisão de Mamdani, alertando que ela “tornará os esforços da cidade para combater o antissemitismo subjetivos, inconsistentes e, em última análise, ineficazes”.

“A promessa do prefeito de preservar o Gabinete de Combate ao Antissemitismo de Nova York, ao mesmo tempo em que revoga a definição na qual esse gabinete se baseia, é um gesto vazio”, dizia um comunicado da IAC.

Em seguida, a IAC perguntou a Mamdani, na declaração, se ele planeja readotar a definição da IHRA “ou continuar com o ato performático de alegar oposição ao antissemitismo enquanto elimina as ferramentas para combatê-lo”.

Enquanto o governo israelense segue criticando duramente as ações do novo prefeito, o desdobramento político e social dessa disputa pode ter impacto tanto nas relações bilaterais quanto nas políticas internas de combate ao ódio em uma das cidades mais diversificadas do mundo, afirma a Fox News.